segunda-feira, 21 de julho de 2008

Falta de Prazer Feminino



Sou frígida?
A mídia e as amigas estão sempre passando um padrão de sexualidade, principalmente feminina, que nos deixam confusas, atônitas ou mesmo complexadas. As cobranças ficam ainda mais intensas quando o relacionamento por diversos motivos, não necessariamente sexuais, está desconfortável ou insatisfatório. Então acontece algo devastador para a auto-estima, que é a idéia de "...eu tenho problemas..."
Atualmente o termo frigidez é comumente ligado a toda e qualquer insatisfação na vivência sexual: falta de desejo, afastamento da busca do prazer e ausência de orgasmo integram o cotidiano de quem enfrenta a frigidez.Antes focada apenas na falta de orgasmo, a frigidez, atualmente, é entendida num sentindo mais amplo, abrangendo as disfunções sexuais ligadas à falta de prazer e de desejo.
A frigidez é a negação da sexualidade no seu sentido mais amplo e erótico. É um estado de falta de interesse e incapacidade geral da busca pelo prazer. O principal nesse discurso é entender esse conceito e conseguir resgatar essa perda, não negando o sexo propriamente dito, mas valorizando e muito as outras relações de prazer.
Na frigidez, a mulher tem a falta de Eros. Ou seja, na tradição mitológica grega, a figura de eros é o deus grego do amor, que é também princípio de alegria, de vida e de prazer. Daí foi originada a palavra erotismo, que teve conceito deturpado ao longo dos tempos, sendo colocada apenas nas questões ligadas ao sexo propriamente dito. A pessoa frígida tem um curto-circuito não apenas na sua relação com o sexo, mas também em vários aspectos da sua vida.
Por sermos indivíduos plurais, várias causas podem colaborar na frigidez feminina. Uma delas refere-se à educação. Muitas mulheres têm a concepção de que é o homem quem deve comandar a relação, sendo ela apenas um agente passivo. Contudo, sexo é troca de prazer. Se ela pensar assim, será frígida culturalmente.
Já no sentido da religião, o sexo geralmente está associado à culpa e ao pecado. Culpa da religião? Não, com certeza. E sim de como o pecado e a pureza foram interpretados na evolução da história, correspondendo a uma cobrança da sociedade.
Outro aspecto importante é a relação com a mãe. Se a filha teve uma relação de afetividade pobre com a mãe, se vê a mãe como uma pessoa infeliz ou passa uma mensagem de que o sexo não é necessário. É como se a mulher não pudesse ter esses dois papéis, de amante e de mãe. A mulher se liberou em todos os aspectos, intelectualmente. Porém, os valores que colocam a sexualidade feminina numa posição crítica ainda estão embutidos na sociedade ocidental.
Além da falta de desejo, creio que o afastamento da busca do prazer e dificuldade de entrega total são os aspectos mais graves. Porque com certeza atingem outras áreas de desempenho, empobrecendo a vida e reduzindo as possibilidades de realização. A frígida, de uma maneira geral, nega o merecimento do gozo no inconsciente. Entre as causas orgânicas da frigidez estão doenças crônicas como diabetes, problemas neurológicos e depressão. Mas nada disso teria importância se um cuidado especial para alimentar o ego de energia vital, desejos e sonhos, projetos de vida, uma dupla que se comunica na sua essência, que acabam por compensar e permitem que esse obstáculo seja transposto.
Não nego que existem situações críticas, traumáticas que têm repercussão na sexualidade. Porém, creio firmemente - e a vivência clinica confirma - , que as causas menores que acarretam disfunções sexuais femininas, quase na sua totalidade emocionais, são em grande parte calcadas em fatores de fácil remissão.Basta que para isso exista o firme propósito de gozar e viver sua sexualidade com entrega total, desmistificando uma visão idealizada que tem espaço ainda para o homem perfeito, quase o inatingível príncipe encantado. A mulher deve atuar na busca sexual e reconhecer o seu desejo, com atitude frente ao próprio desejo e dizer para si mesma: eu quero, eu desejo, eu vou gozar.
O casal não deve ir para o ato sexual pensando somente no pênis e na vagina. Outros elementos, como os toques, como um bom perfume, uma música e outros aspectos que desenvolvam a sensorialidade, beleza e atitude devem ser valorizados.
O processo terapêutico no reforço da auto-estima, da feminilidade, de orientação e educação sexual, portanto, uma abordagem mais educativa e de desvelar mitos é o que mais ajuda e facilita nessa busca.
Não adianta querer encontrar uma fórmula milagrosa para proporcionar mais desejo, excitação e o tão almejado orgasmo. O segredo está na nossa cabeça. Isso mesmo. As causas da dificuldade da mulher em atingir o clímax são psicológicas e não físicas. O que fazer, então, para chegar lá? É preciso aprender, antes de tudo, a não se cobrar tanto. Pensamentos e preocupações como "tenho de conseguir" ou "o que há de errado comigo?" só atrapalham, ainda mais quando invadem nossa cabeça bem na hora ´H´.
Ou seja, é preciso deixar as cobranças de lado e responder apenas ao nosso instinto mais primitivo e natural, o desejo, a fome. Outro importante aspecto é ficar o mais à vontade possível com o próprio corpo: conhecer os pontos de prazer e não sentir vergonha ou inibição de se tocar. É preciso também ter coragem de mostrar ao parceiro do que você mais gosta ou não na hora do sexo. Tudo isso é importante para que o prazer seja cada vez maior.
Orgasmo é uma questão de liberação, aprendizado e de treino. A ciência evolui rapidamente, claro, e hoje já se pesquisa na Europa alguma droga capaz de interferir no prazer feminino. Mas são estudos iniciais e podem levar muito tempo para serem concluídos. O melhor a fazer? Vencer o tabu, acabar com as cobranças internas, dividir com o parceiro os seus desejos e as suas expectativas e, se necessário, buscar a ajuda de um especialista.

Márcia Atik é psicóloga, especialista em sexualidade, doenças psicossomáticas, terapia de família e casal e transtornos alimentares. Para saber mais acesse:
http://www.marciaatik.com.br/

Malhar em jejum ou passar mais de quatro horas sem comer engorda
Nutricionista desvenda sete mitos sobre a mania de ficar em jejum
Se você é do time que pensa no jejum como alternativa poderosa contra os quilos extras, saiba que está embarcando numa roubada. Deixar de comer compromete uma série de funções vitais e não ajuda em nada na dieta , afirma a nutricionista do Minha Vida, Karina Gallerani. Isso porque o jejum prejudica o metabolismo (conjunto de transformações que as substâncias químicas do alimento sofrem em nosso organismo). E são essas reações que permitem a célula transformar os alimentos ingeridos em energia.
A quantidade de calorias ou energia gasta durante o repouso (usada pelo corpo para fazer para funcionar órgãos como coração, cérebro, pulmões e intestino) é chamado de metabolismo basal. O metabolismo basal pode variar de acordo com a composição corporal de cada pessoa, assim como a idade, sexo e prática de atividades físicas. Mas o jejum prolongado tende a diminuir esse metabolismo, interferindo no gasto de energia , diz Karina.
Para entender melhor as conseqüência de ficar muito tempo sem comer, confira a lista de mitos que a especialista desvenda abaixo. Ela revela o intervalo ideal entre uma refeição e outra, explica a relação entre estômago vazio e mau hálito e alerta para os perigos de ficar, diariamente, sem tomar café-da-manhã.

1. Fazendo exercícios em jejum, emagreço mais rápido.
Falso. Durante a execução dos exercícios físicos, se você estiver em jejum, seu nível de glicose no sangue pode estar muito baixo (hipoglicemia). Então, seu organismo vai passar a consumir proteínas. Você perde massa magra (músculos), diminui seu metabolismo e acaba ficando mais fraco. A performance cai e o desgaste físico e emocional aumenta. Em condições normais, com alimentação equilibrada, o organismo consegue manter este equilíbrio interno. No entanto, a o jejum prolongado pode comprometer esse balanço energético.

2. Ficar muito tempo sem comer deixa o metabolismo mais lento.
Verdade. Depois de muito tempo sem comer, o metabolismo passa a funcionar mais lentamente, como tentativa de economizar energia. Como conseqüência, na próxima refeição, a tendência é acumular mais gordura. O ideal é não ficar sem comer por mais de 4 horas, distribuindo as refeições durante o dia.

3. O jejum acelera os resultados da dieta.
Falso. As pessoas normalmente relacionam a dieta como algo muito restritivo, acreditando erroneamente que a reeducação alimentar proibirá o consumo de certos alimentos. Embora uma boa alimentação possa ter certas limitações, não há proibições absolutas.

4. Ficar em jejum causa dor de cabeça.
Verdade. O cérebro não tem qualquer reserva energética e por isso, independente do estado nutricional é necessário que haja um suprimento de glicose, provenientes principalmente de alimentos fontes de carboidratos para este tecido. Situações de hipoglicemia, por exemplo, onde ocorre uma redução dos níveis de glicose sanguínea, podem acarretar perturbações no funcionamento do sistema nervoso central, que vão desde cefaléia, incoordenação de fala e motora, até alterações no eletroencefalograma e coma.

5. Ficar três horas sem comer não prejudica o organismo.
Verdade. Períodos curtos de jejum (de uma a três horas sem comer) não acarretam problemas. Esse é o tempo médio que o organismo leva para realizar a digestão e conseqüente absorção dos alimentos. Mas pessoas com tendência a hipoglicemia devem se alimentar a cada duas horas. Do contrário, podem surgir sintomas como visão turva, cefaléias, enjôos, vômitos, tremores.

6. Pular o café-da-manhã diminui a capacidade raciocínio.
Verdade. Jejuns superiores a quatro horas podem resultar em lentidão dos movimentos, raciocínio confuso, perda de memória, dores musculares e de cabeça, tontura e até mesmo desmaios em alguns casos mais graves. Quem persiste em tornar o almoço a primeira refeição do dia, está expondo o organismo a mais de doze horas em jejum. Esse estado metabólico também pode favorecer consideravelmente o aparecimento de infecções já que o organismo está fraco devido a falta de nutrientes.

7. Ficar em jejum durante o dia causa mau hálito
Verdade. A presença do mau hálito, decorrente da acidose metabólica (excesso de acidez no sangue caracterizada por uma concentração anormalmente baixa de carboidratos) é decorrente a jejuns superiores a seis horas. Esta característica é bem comum em pacientes com diabetes. Os mecanismos de compensação realizados pelo organismo em situações de acidose é uma respiração mais profunda e rápida: o organismo tenta livrar o sangue do excesso de ácido reduzindo a quantidade de dióxido de carbono. Os rins tentam excretam mais ácido na urina. Quando estes dois mecanismos não conseguem estabelecer a homeostase e o corpo continua a produzir ácido em demasia, instala-se um quadro de acidose grave e, em última instância, o coma.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

TIMIDEZ




Timidez: uma doença ou um jeito de ser?

Auto-confiança é o segredo para enfrentar todas as situações
O que vão pensar de mim? O que vão pensar do meu cabelo, da maneira como eu ando e falo? O tímido vai a um julgamento toda vez que se expõe a situações novas. Mas não são só eles que se incomodam com o julgamento alheio. Segundo Bernardo Carducci, especialista norte-americano em timidez da Universidade de Indiana, 75% das pessoas apresentam comportamentos tímidos na presença de estranhos. Mas, para os introspectivos crônicos, estes comportamentos são freqüentes, intensos e emperram a vida.
Em seu recém lançado livro "A timidez não é um problema", o escritor norte-americano J.S. Jackson acredita que é possível considerar a introversão como um presente especial que pode nutrir a alma criativa. Daí vem aquela noção de que tímidos são criaturas mais sensíveis. "Muitos de nossos melhores escritores, artistas, cientistas e compositores são pessoas tímidas que desenvolveram capacidades para ter sucesso na maior parte das situações", diz Jackson.
Mas o que é a timidez? Onde ela nasce? Especialistas se dividem quanto ao seu diagnóstico. "A timidez é uma doença cosmopolita", diz o psiquiatra Nei Nadvorny, especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenador do site Laboratório da Timidez. "Ela está no código internacional de doenças como fobia social. No entanto, tem graus mais altos e mais baixos de gravidade", conclui.
Segundo Nadvorny, existem introvertidos que se atrapalham na hora de falar com o sexo oposto, aqueles que ficam verme-lhos para falar em público, os que não gostam de escrever na frente de outras pessoas. E, se a introspecção engloba cada vez mais sintomas, mais tímida a pessoa é, ou se torna.
Muitos introvertidos garantem: ela não atrapalha em nada suas vidas. "Às vezes fico com vergonha do meu corte de cabelo, do jeito como brinco. Mas consigo conversar com a minha professora, então acho que a minha timidez não me atrapalha", diz o estudante Rafael Amaral, de 11 anos.
O analista financeiro José Carlos de Meo, 45 anos, aprendeu a se aceitar como é. "Quando era mais jovem me incomodava com a introspecção, mas aprendi a criar artifícios para controlá-la, como sorrir quando me sinto tímido", diz ele.
Mariana Pupo, psicóloga da Unifesp, acredita que timidez e fobia social não são, necessariamente, a mesma coisa. "Timidez é mais um jeito de funcionar, um estilo de personalidade", diz. A opinião é partilhada pela psicóloga Lucélia Paiva, doutoranda em psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. "Ela é mais uma forma do indivíduo ser."
Felipe Nakano Cruz, de 4 anos de idade, é considerado um menino tímido pela mãe, a designer gráfica Josie Nakano, de 29 anos. "Ele já dançou na festa junina com o chapéu cobrindo o rostinho dele", diz Josie. No entanto, sua introspecção melhorou muito depois que ele entrou numa escolinha.
Na escola, os professores devem estar atentos às crianças introspectivas e ajudá-las a se sentirem confortáveis e confiantes. "Para muitas crianças extrovertidas, isto vem naturalmente, como se eles tivessem nascido tagarelas", diz Jackson. Mas, para uma crian-ça introvertida, sentir-se confortável pode ser algo muito difícil de se conquistar.
"O ideal é tentar trazer as crianças para as atividades de um modo discreto", diz a psicóloga Sueli Conte. Trabalhar nos bastidores do teatro da escola, por exemplo, ajuda os pequenos a, pouco a pouco, se soltarem com os coleguinhas mais extrovertidos.
No final, especialistas concordam que, para driblar as armadilhas da timidez, o ideal é não apressar a criança, deixá-la ser quem ela é. Se a introspecção um dia incomodá-la, ela mesma irá buscar ajuda, com um adulto. Segundo Nadvorny, buscamos ajuda quando temos uma dor que não suportamos.
Bernardo Carducci, o especialistas da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, acredita que é preciso tentar entender os tímidos, em vez de tentar mudá-los.
"Não há nada de errado em ser um indivíduo tímido. O problema com a introspecção é não entendê-la e deixá-la te controlar, em vez de você controlá-la", aconselha Carducci.


Bianca Bortolini Florsz é psicóloga especialista em saúde mental, psicopatologia e psicanálise pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Para saber mais, acesse: www.site.pop.com.br/clinicadepsicologia


Brasileiras estão entre as mulheres com mais baixa auto-estima

É comprovado: vaidade em excesso faz mal à saúde
Para nós, "reles mortais", fica difícil olhar para Gisele Bündchen e companhia e não desejar ter um corpo daqueles, o cabelo sensacional, pele maravilhosa, enfim um conjunto que atrai olhares e no qual as roupas caem como luvas. Esse modelo de beleza transmitido pelas beldades por intermédio dos meios de comunicação é criticado pela psicóloga Rachel Moreno no livro: A Beleza Impossível, recém-lançado pela editora Ágora. Ela afirma que a sociedade atual atingiu o ápice desta obsessão, estendendo-a para todas as classes e gêneros.
"Há muitas coisas que nos realizam na vida e que são muito mais importantes do que um nariz arrebitado ou uma roupa de grife. O que fazemos bem, nossa ação na família, no mundo, na transformação da realidade para torná-la mais harmoniosa e inclusiva." Rachel Moreno, escritora.
A autora observa que as mulheres que não se encaixam no padrão vigente - ou seja, a maioria -, sentem-se excluídas e até humilhadas e tendem a fazer qualquer sacrifício em nome da beleza. Somente em 2003, as brasileiras gastaram R$ 17 bilhões na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. O Brasil apresenta o maior índice de mulheres que declaram ter feito
cirurgia plástica. Outros estudos revelam que a população feminina no país, comparativamente, é a que mais se submete a sacrifícios pela aparência. Isto inclui dietas, malhação, remédios e cosméticos. Tudo o que for possível para tentar atingir a beleza sonhada.
Quais são as conseqüências dessa obsessão para as adolescentes de hoje? E como ficam as "diferentes" - gordinhas, baixinhas, mais velhas, negras? Rachel adverte que o excesso de vaidade pode se tornar um problema de saúde pública. Ansiedade e baixa auto-estima são os primeiros efeitos colaterais. Essa perseguição inacabável também desencadeia doenças como bulimia e anorexia.
A obsessão pela beleza é recente? De onde e de quando vem essa vaidade além da conta?
Tornar-se atraente faz parte do repertório de jogos de qualquer espécie animal - e não fugimos à regra. Creio que, desde a folha de parreira de Eva, passando pelas folhas de limoeiro esfregadas pelas índias nos pulsos para exaurir o seu aroma, tudo isso serve para se tornar mais atraente aos olhos do outro. Mas essa vontade de atrair a quem nos interessa é muito diferente da imposição de modelos que nos foram colocados ao longo da história, à custa de artifícios e produtos. E esta imposição atinge o seu auge agora, na sociedade que estende este padrão de beleza a todas as classes sociais, ampliando o seu alcance ao interior das mulheres, pois a beleza passa a refletir o estado da alma. Além disso, estimula-se o consumo de um mundo de parafernálias, produtos, cirurgias, que prometem colocar este ideal de beleza ao alcance de qualquer uma, até mesmo em suaves prestações mensais. E, se você se vê cercada de modelos de beleza por todos os lados, em outdoors, revistas, jornais, programas de televisão, propaganda, você se compara inconscientemente com aqueles modelos, passa a querer se parecer com eles e sofrer se não o conseguir.
Pesquisas apontam que as brasileiras estão entre as mulheres com mais baixa auto-estima e ao mesmo tempo estão entre as que mais se submetem a cirurgias estéticas.
Se eu gosto de mim, não preciso ficar melhor, pois já estou bem. Não preciso cortar na carne, sofrer com dietas, malhar de forma insana, mandar extrair qualquer milímetro de gordura a mais, fazer tratamento contra a celulite, eliminar as rugas, tingir os cabelos e torturá-los até que fiquem lisos e esvoaçantes, sem o qual não me sinto bem. Se eu gosto de mim, saberão apreciar as minhas qualidades e defeitinhos que me personalizam, justamente as pessoas capazes de apreciar o que tenho de melhor. E, afinal, o que é "melhorar"? É ficar mais próxima de um padrão externo a mim, imposto de forma sutilmente autoritária, como único que vale a pena.
No caso das brasileiras, qual é o ideal de beleza? As próprias modelos brasileiras como Gisele Bündchen? O modelo das brasileiras tende a ser eurocêntrico. O ideal de beleza é jovem, magra, branca, loira e de seios fartos. Gisele Bündchen se enquadra perfeitamente. O que cria esse modelo ideal? Mídia, indústria da moda, de cosméticos? Tudo isso ao mesmo tempo. Acrescente-se ainda a cirurgia plástica, silicone, lipoaspiração, operação plástica, tratamento de celulite, spas, personal trainers, academias, dietas milagrosas, a indústria dos alimentos dietéticos... Sustentamos uma indústria milionária que nos engana, explora e faz sofrer. Porque são poucas, pouquíssimas as que podem se parecer com Gisele Bündchen. E a nossa riqueza consiste justamente na diversidade, pluralidade de tipos, feições, combinações e jeitos de ser.
Mesmo sabendo que as tops não são mulheres "reais" por que todas caem nessa idéia de querer chegar perto desse modelo de beleza?
Porque por trás disso, há uma indústria enorme e diversificada que trabalha com todas as armas do marketing e do acesso à mídia, que amplifica e nos vende os seus desejos e vontades, de forma poderosa e ao mesmo tempo que sutil. Que pode pagar por isso, mesmo porque isto lhe garante um retorno financeiro invejável. A indústria de cosméticos está entre as que mais cresceram nos últimos tempos.
E os homens? Eles não procuram mulheres com corpos perfeitos? Se e quando isto ocorre, - numa fase meio infantil pela qual todos os seres humanos passam e que por vezes se prolonga -, é porque eles acabam tão atacados pelos modelos que a mídia lhes vende quanto nós. E tende a ocorrer na fase em que eles precisam provar a sua masculinidade, exibindo uma mulher bonita como conquista. Mas quando amadurecem, são tão capazes quanto nós de se encantar com o mero brilho de um olhar, com o detalhe de uma expressão, com a inteligência, carinho, personalidade de mulheres que são únicas e não barbies produzidas em série.
Afinal, a mulher quer ficar bonita para quem?
É natural que queira atrair a atenção do sexo oposto, mas há várias formas de fazê-lo. As mulheres tendem a dizer que querem ficar bonitas para si, quando não para as outras. Agora, se levarmos a sério o "ficar bonita para si mesma", quando é mesmo que a gente se sente melhor e mais segura? Quando conquista um objetivo almejado, quando faz algo bem feito, quando está de bem consigo mesma e com a vida. Aí, sim, a beleza jorra de dentro de nós, através dos rostos e corpos dos mais diversos tipos, formatos e harmonias.
Numa beleza absolutamente personalizada, numa silhueta que pode ser mais magra ou mais gorda, mais jovem ou mais madura, de qualquer raça ou etnia, e que traduz alguém que só você pode ser. Você afirma que essa vaidade traz problemas de saúde. De que forma? Temos tido casos de bulimia, de anorexia. Algumas modelos morreram disso. Algumas mulheres morreram fazendo lipoaspiração. Há mulheres que praticamente não comem e que precisam de tratamento médico para se reequilibrar.
Obesidade é outro problema que decorre do estilo de vida sedentário que levamos. Baixa auto-estima é um sofrimento psicológico incompatível com um bom equilíbrio. Se nosso governo decidir contabilizar as despesas resultantes na rede de saúde pública, poderemos ter um indicador do quanto isso custa aos cofres públicos. E como se livrar dessa obsessão? Se aceitando como você é, tirando partido e valorizando o que mais a diferencia, inventando o seu próprio modelo de beleza e, sobretudo, de bem-estar. Há muitas coisas que nos realizam na vida e que são muito mais importantes do que um nariz arrebitado ou uma roupa de grife.
O que fazemos bem, nossa ação na família, no mundo, na transformação da realidade para torná-la mais harmoniosa e inclusiva. Lembrar que valemos muito mais pelas coisas que fazemos, pela nossa ação cidadã, do que pela mera aparência, ou pelas grifes que poderíamos ostentar e que nos roubam a personalidade, substituindo-a por uma etiqueta.
Serviço: A Beleza Impossível - Mulher, Mídia e Consumo, de Rachel Moreno. Editora Ágora.
Bianca Bortolini Florsz é psicóloga especialista em saúde mental, psicopatologia e psicanálise pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

HOMENS OBESOS TÊM MAIS DIFICULDADES PARA SER PAI



IMC fora de controle compromete a qualidade e quantidade de espermatozóides
Se você sonha em ser pai, mas anda preocupado com os quilos a mais é hora de encarar uma dieta: pesquisadores da Universidade de Aberdeen (Escócia) acabam de concluir um estudo que identifica dificuldades de fertilização nos espermatozóides de homens obesos.
De acordo com os pesquisadores, o problema surge porque a concentração exagerada de gordura nos testículos aumenta a temperatura dos espermatozóides, diminuindo as chances de gravidez. Além disso, homens obesos tendem a ter menos quantidade de sêmen e de células reprodutivas (em comparação àqueles com índice de massa corporal nos limites recomendados).
Sabemos também que excesso de peso altera as taxas de dois hormônios importantes, relacionados às funções sexuais , afirma o ginecologista Joji Ueno, especialista do MinhaVida. Há redução no nível de testosterona e aumento de estradiol, o que compromete a produção de esperma , explica. Outros estudos ainda apontam que homens acima do peso ideal têm maior índice de fragmentação no DNA do espermatozóide, o que pode gerar falhas na fertilização.
E nem pense que as dificuldades envolvendo fertilidade e quilos extras são exclusivas dos homens. O ciclo hormonal da mulher também é prejudicado , diz o ginecologista. Se uma mulher tem gordura corporal em excesso, seu corpo também produz uma maior quantidade de estrógeno, limitando as chances da gravidez , afirma o especialista do MinhaVida.

Fazer um diário de calorias ajuda a perder duas vezes mais peso


Anotar tudo o que você come acelera os resultados da dieta, comprova pesquisa
Para quem está começando a luta contra a balança, a tarefa pode cheirar a chateação: além de controlar a fome, você ainda tem de virar dedo-duro de si mesmo, anotando num diário cada amendoim que leva à boca? Pois é exatamente esta a idéia dos diários de calorias, um documento confidencial que registra, com exatidão, todos os seus hábitos alimentares.
E quer saber? A coisa funciona mesmo, como acaba de comprovar um artigo recém- publicado na Revista Americana de Saúde Preventiva. Os pesquisadores acompanharam a rotina de 1.685 homens e mulheres, todos com cerca de 95 quilos, durante seis meses. Submetidos a uma dieta e exercícios físicos semelhantes, eles tinham a opção de fazer ou não um diário de calorias.
Passado o semestre, a surpresa: quem fez um registro das mastigadas eliminou, no mínimo, 8 quilos. Enquanto as pessoas que ignoraram o caderninho não passaram dos 4 quilos a menos na balança. O poder dos diários é simples, segundo os pesquisadores: primeiro, eles nos forçam a encarar os deslizes cometidos durante o dia (e a sensação de culpa, combinada à vergonha, tende a exterminar qualquer hábito que prejudique a dieta). Além disso, ao documentar nossa alimentação, os diários permitem identificar a origem dos exageros.
Trata-se de uma ferramenta muito útil e bastante recomendada , incentiva a nutricionista do MinhaVida, Roberta Stella. O diário mostra não só quantas calorias extras foram ingeridas, mas também o horário em que isso costuma acontecer e o tipo de alimento que é consumido , afirma. De posse dos dados, é possível fazer mudanças bastante precisas na dieta, facilitando a perda de peso e equilibrando a fome naqueles horários em que ela surge com mais intensidade.

VOCÊ CUIDA BEM DA SUA SAÚDE ÍNTIMA?



Da depilação à hora do banho, passando pela escolha das lingeries, é preciso ficar atenta

Cuidados com a depilação, o sabonete e a escolha da lingerie são mais do que detalhes do cotidiano feminino. Prestar atenção neles é essencial na preservação da saúde íntima da mulher , afirma o ginecologista Mauro Pirotti,do Hospital Bandeirantes.
A intimidade feminina é cheia de detalhes, e um descuido mínimo pode gerar sérios problemas (alguns apenas chatos de tratar, como a candidíase) e outros mais graves, como as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).
Abaixo, o doutor Mauro Pirotti, do Hospital Bandeirantes, indica uma lista de hábitos que garantem sua saúde íntima:
Calcinhas
Prefira as de algodão e na cor branca, que têm menos aditivos químicos e, portanto, menor potencial de irritação da pele.
Sabonete íntimo
Use três por semana. A fórmula é considerada neutra, mas alguns têm um teor ligeiramente ácido e pode causar danos na flora da vagina, tirando a sua proteção natural.
Duchinhas
Esqueça. Elas eliminam completamente a proteção natural da vagina, deixando você suscetível a infecções.
Absorventes íntimos
Trocados a cada quatro horas, no máximo, não há problema nenhum em usá-los regularmente. Portanto, só fique atenta ao período noturno (caso você durma direto e não tenha como fazer a substituição).
Sanitários públicos
O ideal mesmo é nunca usar. Mas em última necessidade, evite sentar-se ou conte com as proteções descartáveis.
Protetores de uso diário
Risque da sua lista de compras. Eles não permitem uma boa oxigenação da área íntima e podem causar dermatites de contato.
Roupas justas
Roupas apertadas e de tecidos sintéticos são muito prejudiciais. Além de comprometer a oxigenação, elas provocam muito atrito na área genital, podendo provocar inflamações e infecções intensas.
Pêlos
Por mais difícil que seja acreditar, eles estão ali a seu favor: os pêlos servem como uma espécie de barreira natural aos microorganismos e ao atrito das roupas (desde, é claro, que bem higienizados). Portanto, só depile o que for estritamente necessário e apare o restante com a tesoura.
Sexo
A camisinha é sempre bem-vinda. Prefira os modelos com lubrificação à base de água, menos alérgicos. E evite os preservativos com sabor que podem causar alergia e dermatite de contato.
Visita ao médico
A periodicidade das visitas é sempre vinculada ao seu quadro clinico. O mínimo recomendável é uma vez por ano. Após o fim do tratamento de HPV, esse intervalo sobe para uma visita a cada três meses. E agende-se: não faça sexo nos três dias antes da consulta, não esteja menstruada, não faça duchinhas e não use nenhum tipo de creme vaginal.